Um diário de bordo

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Acelerada

Coisa mais difícil dessa vida é viver o presente...
Remoemos o passado, planejamos o futuro, enquanto perdemos o agora.
Tenho medo dessa sensação de urgência de tudo. De que tudo precisa de nós, de que precisamos ser/estar/parecer que não nos deixa tempo pra usufruir, sentir, degustar, ficar em silêncio.
A vida tem parecido uma auto estrada, com a vista sendo apenas borrões pela janela, enquanto se corre loucamente daqui pra sei lá onde...
Nesses momentos, tento me lembrar de respirar, de focar no diafragma. Às vezes, fecho os olhos e contemplo o silêncio, outras olho em volta, enquanto absorvo o agora...
Poucos instantes de presente, até a próxima demanda material ou mental recomeçar a corrida!

domingo, 8 de maio de 2016

Perdida

Dentro de mim existe um labirinto. Grande, sombrio, escuro e cheio de limo...
Nele vivem minotauros, hidras, medusas, serpentes e demônios...
Às vezes eu me perco dentro dele.
Mas aí eu me lembro que a vida acontece do lado de fora.
E olho ao redor.
É a única saída...


segunda-feira, 11 de abril de 2016

Sorte

Só fica com dúvidas quem tem caminhos pra escolher...
Depois de uns dias doente, em casa, sem trabalhar, ler, me exercitar, estudar, enfim, hibernando, pude concluir que tenho sorte.
Sorte de me sentir deslocada. Seria estranho me sentir normal e perfeitamente adaptada neste mundo doente...
Tenho sorte porque tenho me ouvido. E me atendido... E escolhido baseado em mim, no que preciso, não no que os outros acham que devo ser/fazer....
Dias preguiçosos realmente não são desperdício. A criação precisa de sossego!

terça-feira, 29 de março de 2016

Editando

Entre obrigações, necessidades e chatices.
A vida moderna é cheia de burocracias.
Será que alguém consegue escapar delas?
Será que alguém aí do outro lado consegue viver nesse mundo cheio de regras e papelada fazendo só o que quer?
Se existir esse milagre, por favor, me deixem saber...
Ultimamente tenho tentado equilibrar a balança do que deve ser feito com o que tenho vontade de fazer. Deixar as coisas em, pelo menos, meio a meio.
Ainda não cheguei lá não, mas sigo em frente. Transformando, editando, cortando.
Cortando coisas, gastos, pessoas, lugares, afazeres...
Pra fazer sobrar tempo, energia e dinheiro pro que me faz feliz: natureza, filhos, livros, viagens, costurar, cozinhar, me exercitar ouvir música, dançar...
Fácil não é, mas sempre em frente, não tenho tempo à perder...

domingo, 27 de março de 2016

Escriba

Eu escrevo. Escrevo muito. Porque eu preciso tirar as palavras de mim.
As palavras nascem, brotam, surgem o tempo todo.
Se eu não as der à luz, elas me sufocam. E consomem. E não me deixam dormir. Nem viver.
Palavras do passado e palavras do futuro não me deixariam estar no presente se eu não as expulsasse de mim.
As palavras me assediam. São obsessores.
Por muito tempo as guardei pra mim. Queria ser sã (ou parecer). Mas engolí-las só me deixou louca..
Então, elas venceram. Se elas quiserem sair, que saiam.
Desde que me deixem em silêncio.

sábado, 26 de março de 2016

A fome

Passamos a vida sendo ensinados a alimentar nossos egos e nossas personas sociais.
Sente assim, fale assado, seja a melhor, a primeira em tudo, a mais bonita, com mais dinheiro, mais amigos, a melhor vestida. Tenha diploma, carro, casa, bom emprego, marido, filhos, cachorro. Cozinhe bem, seja boa de cama e de papo, não tenha ciúmes. Tenha uma vida (mas não demonstre sua força, pra não assustar os pobres moços). Ufa! Cansei. E olha que ainda tem muita coisa nessa lista.
E ainda, pra piorar, nos ensinam a nos comparar e brigar com as irmãs. Olha como ela é bonita. E mais inteligente. Com um namorado perfeito. Um emprego invejável, a manicure sempre em dia....
Socorrooooooo!!!!
E assim, frágeis em pele de armadura, passamos a vida alimentando nosso ego. O deixamos crescer, evoluir.
Até que um dia, qual Exterminador do Futuro, ele ganha vida própria e passa a nos comandar.
Não seria problema se o ego não fosse apenas uma ferramenta, o mensageiro entre o mundo exterior e o nosso ser profundo. quem, em sã consciência daria tanto poder ao mensageiro? E o pior, um mensageiro chorão, manhoso, cheio de vontades. Um mensageiro de 3 anos...
E essa criança cresce. Cresce e nos devora. Devora nossos sonhos. Entulha a estrada que nos leva de volta ao profundo de nós. Porque ele sabe que se nos encontrarmos com a anciã que mora em nós, que nos conhece de verdade e nos guia ele perde seus poderes e regalias. Ele é mimado, mas não é bobo.
Eu ainda não tirei todas as pedras que meu ego jogou na estrada de casa. Mas eu já sinto fome. Fome de casa. Fome de mim. De verdade. Não do meu ego relações públicas, mas da velha da caverna. Sei que ela me espera com um caldeirão fumegante. Com histórias. Com passado e futuro, mas principalmente, com o presente.
Pretendo chegar logo, embora não tenha bússola ou mapa. E tenha essa criança resmunguenta a de debater nas minhas pernas. Ah, esse ego!
Mas eu já ouço o crepitar do fogo. O calor das histórias e o cheiro do aconchego.
Não sei quanto dura a viagem. Então, eu tento aproveitar o caminho.